sábado, 10 de outubro de 2009

(auto)Observação

Estou lá fora
e se me virem noutro espaço
é a alma que divaga,
não o corpo, esse é fidalgo.
Mas não me apetece
saber mais que o geral
sou poeta que vive em ruas
não sou uma mente recheada
nem vidente
de contos de fadas.

E passa o tempo por mim
sem que nada mude,
lá fora o mundo e as casas abandonadas
com habitantes provisórios
(e bolsos irrisórios).

Falta-me a mim mudar,
com esperança numa
mudança
de quem nunca viu
mas fez.

Joaquim Salgueiro

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Homenagem ao interior português.

( Desde já ponho aqui o aviso : Vou editar o meu primeiro livro. Ainda não está definida a data de lançamento, mas de qualquer maneira , quando souber, avisarei concerteza. )



Vida que leva
o homem do tasco
serve e bebe
o vinho que do pipo
traz, além da cor,
sabor esquesito.
Vive de conversas
com pessoas de renome
(lá na aldeia
todos sabem quem é pobre)
e relembra a cada dia,
não fosse a missa,
a terrinha estava morta.

Quase que está
ouve-se nas ruas desertas
são as vozes de paralelos
e paredes da idade
de Portugal,
quase que não há gente
que caminhe
ou se espezinhe
(tirando as beatas que na paróquia habitam).

Revolta!
Revolta!
É o eco que as árvores
ouvem no vale
lá do tasco o gerente treme
entre um copo
e um prato que arrefece.

"se não estou morto,
já devia estar."

Joaquim Salgueiro.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

alguém, que faz de alguém a fazer de alguém...

Tudo o que
não disse aos meus pensamentos
pode ser descrito
como inútil
vulgar ou fútil,
de pouco interessante
ora falso
ora humilhante,
não digo a mim
por isso escrevo ao mundo
se a mente
não conhece a verdade
e o coração
é apenas a maior obra de ficção
alguma vez criada
eu me rendo por fim
à verdade
fatal e real
de que por vezes a vida
sabe mais do que eu.

E que mal tem
eu me confessar a mim próprio?
Já que não digo
tudo ao meu ser
ao menos que a minha mente saiba o que pensa,
não vá mesmo a sociedade
pensar que só ela me controla...

Acabo a dizer
ao meu leitor
nunca se engane,
as pessoas são apenas imagens na sua cabeça...
tudo o resto é que importa.

Joaquim Salgueiro

domingo, 16 de agosto de 2009

Bilhete do nosso amor. (7ª folha)

"Meu amor,

Sussurro um amo-te ao vento. E o vento leva-o, uma e outra vez. Espero ansiosamente que o ouças, que o sintas, que me queiras. O fogo que me percorre as veias não se apaga com a escrita, admito, mas rezo para que se acenda em ti. Não quero arder sozinho. Nunca quererei. Pago agora as saudades por tanto te precisar e não me arrependo o tanto te amar, será demais? A menos nunca é, isso tenho a certeza. Neste pequeno excerto só uma coisa está no meu corpo. O teu coração.

Teu,
Joaquim Salgueiro"

(Esta é sem dúvida uma folha A5)

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Diário do nosso amor. (6ª folha)

"Meu amor,

Estou parado e olho o céu. Lembras-te de Orion? Eu lembro. E lembrarei sempre, assim como aquela música que ficará no meu coração eternizada, assim como todos os momentos em que estive (ou não) contigo. Apetece-me enlouquecer e fugir do mundo contigo, raptar-te do que a ti te rodeia,
levar-te, ter-te e abraçar-te, como gosto de fazer. Penso sempre se estarás bem comigo. E espero sempre para mim que os meus braços sejam sempre para ti a tua única casa.
Admito que agora fechei os olhos e te imaginei, tão bela, sorridente e, nos meus lábios, ardente. É paradisíaco, confesso, poder sonhar contigo como tão bem sonho e saber que enquanto escrevo estarás tu suspirando por mim. Verdade, a tua falta é dura e crua, intragável e sofrida, meu amor, é falta de pouca dura, dias de chuva nunca vêm para ser eternos e tu que me iluminas, como sempre às-de voltar a reencontrar meus braços e um leve trocar de saudades encriptados nuns doces e apaixonados toques labiais. Mais até, prometo, já amanhã, tenho a vida em mim para te dar, vida e muito mais, é amor, é alma e acreditar! És tu meu amor, que me cantas no coração, embalas-me na tua voz e bem no espírito me falas, me recitas, me atrais. Íman do meu ser, posso afirmar.
É hora de te telefonar, preciso desesperadamente de voltar a ouvir a tua voz. Como sempre, amarte-ei no meu caminho. E obviamente, ainda temos muito a caminhar.

Teu,
Joaquim Salgueiro"

domingo, 2 de agosto de 2009

O dia a dia de serrano

Olha em volta
e aprecia
o rapaz da chique moradia
é finório
elegante e distinto,
rosa no peito
nota no bolso
e cachimbo que combina,
é alto
(por demasia)
rapaz sério
e caladito
não se abre
nem com as meninas!
o coitado do rapazito,
cá na terra
lá falam das companheiras
umas gordas
outras feias,
todas putas
todas pranhas,
trazem meninos
filhos
e sobrinhos
(à dias até um gandulo
lá foi parar,
era panilas
ouvi dizer)
Quando não chove
anda cá fora
"Olá senhor chique!"
Disseram olá?
Ele também não!
tem a mania
e nariz mais que empinado
raio do rico
era poder
e dava-lhe um cacete!
Enfim...
Amanha falarei da irmã.

Joaquim Salgueiro

terça-feira, 28 de julho de 2009

A menina e o seu rio.

Passa ao lado
da moradia a rapariga
com as calças bem em cima
na margem do seu rio,
olhem as mãos já calejadas
tão preenchidas
de roupa como de tristeza,
mete roupa, tira roupa...
e lá fica ela a secar,
veste o fato e vai embora,
não a menina,
o outro que com ela estava,
dono da roupa.
Menina que passas
não te faças de despercebida,
és escrava rapariga,
mulher?, só quando
estiveres nos bordeis,
por agora vais-te mantendo
nas margens do teu rio
que em vez de água
traz doenças,
quem sabe lixo.

Joaquim Salgueiro

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Agradecimento.

Perdi horas
a tentar perceber-me
por dentro,
sem conclusão alguma,
esperança inexistente
de me encontrar
perdido, à deriva
vagueando aqui, ali,
subindo a vida
(ou será ela que
sobe por mim acima?)
e atirando-me ao
chão me rendo.
Por isso em casa,
à frente da lareira,
entre um café e um cigarro,
entre um olhar e um rasgo
de visionário
observo o espelho
e depois do nada aparente,
estou em ti morando,
sorrindo, chorando.
Já que na realidade nunca daí saí,
para quê mudar?
Outro café, outro cigarro,
a vida corre e agora
estamos eu, tu
a lareir, as folhas
lá fora ao vento,
uma casa, o nada,
o mundo.
Do vazio se fez este mundo,
obrigado meu amor.

Joaquim Salgueiro

Saudade.

Recordo entre os teus beijos,
(foram tantos,
muitos outros virão)
o primeiro,
como que em jeito
de reclamação
reivindicar o que é demais
para mim necessário.
És um suspiro
ou um grito de alívio,
não sei bem,
no entanto
eu te preciso
e portanto te eternizo
com palavras vindas
do fundo de interior nunca antes calcado
e por isso,
de certo modo apavorado,
mantenho-me preocupado
com o que apenas te direi.
Será demais?
Nunca, penso eu,
amar-te-ei hoje,
para sempre
e quem sabe,
talvez depois.

Joaquim Salgueiro

Entre um sorriso e uma lágrima.

Poetizo o que
sinto para não parar,
para não pensar,
até porque
já deixei de me ver
há muito,
mais que muito
tempo,
e agora encontro-me
em ti, olhando
bem por dentro
de tudo o que poderia
ser chamado de alma.
Verdade,
serei eu clone
ou escravo?
Não importa na realidade
estou voluntariamente algemado
e o cérebro paralisado,
qual mente,
coração apenas, só teu
teu e para sempre!

Joaquim Salgueiro

certezas

Saberei sempre
o que escrevi para ti,
sempre o que quis dizer
e dir-te-ei sempre
o meu amor
paixão por paixão,
cada dia diferente
tal o tamanho
do crescente sentimento.
Nunca me esquecerei
de um beijo
ou carinho
numa casa onde
nunca sozinho,
fui maravilhosamente
conduzido
algures para além do espaço
e voltei,
contigo a meu lado,
ao teu sorriso
(Admito)
meu eterno paraíso.

Não fosse o amor eterno,
que tentasse!
mudaria tal fado
e seria o revolucionário,
por tua causa,
caderno do meu ser
Diário do meu viver.

Joaquim Salgueiro

Desejo.

A permanência do teu
ser apodera-se
de mim,
por mais que queira
quero sempre mais,
e o teu cheiro
permanece
assim como o sussurro,
beijo surdo
ou olhar mudo
fogo de vista
que arde mas não vê,
amanhã talvez
te possa conhecer uma e outra vez,
de vez em quando
tocar o prazer
e por fim eternizar
o teu ser
numa simples folha de papel.

Joaquim Salgueiro

sábado, 18 de julho de 2009

Diário do nosso amor. (5ª folha)

"Meu amor,

Sinto que escrever esta folha é demais previsível ou vulgar, não te quero escrever todos os dias, para poder com isso tornar alguns especiais, mas admito, tal fraqueza a minha que não consigo parar de escrever para ti quando as lágrimas me escorrem a face. Não sei se é tristeza ou felicidade, sei que é amor. Sei que é saudade. Ainda não parti numa tão curta jornada e já agora sinto a tua falta, o teu cabelo, a tua face, os teus lábios ou o delicioso toque da tua mão. Será isto demasiada paixão? Prometi para mim que nunca seria dependente de ninguém, a verdade é que nesse aspecto sinto-me um mentiroso incumpridor que quebra palavras e códigos de (talvez) conduta por amor, mas será errado a uma pessoa confiar a nossa alma? Surge-me agora esta dúvida e tenho que admitir, a ti nunca será um erro dar a minha paixão e de certeza que posso afirmar, entrego-te a chave da minha vida como se fosse mais um beijo, seguro e sentido, sem nada que uma outra intenção possa estar envolvida. Entrego-me meu amor. Admito também que pensei antes de quebrar tal promessa pensava que depêndencia significava aprisionamento. Outra vez estava errado e quando o falava era um mentiroso pervertido. (Só espero não me tornar um viciado doentio) Sei agora que tu me abriste a jaula e, pura e imaculada, apareceste tal santa iluminada, guiando seguidor à vida. Sim, eu vivo contigo. Vivo em ti meu amor.
Peço desculpa pelo desabafo em forma de diário publico-privado, mas se não me confessasse a ti, a quem mais me iria confessar? Sinceramente e com todas as forças, é muito mais do que alguém possa tentar explicar.

Teu,
Joaquim Salgueiro"

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Diário do nosso amor. (4ª folha)

"Meu amor,

Há certamente muito tempo que penso em ti. Há certamente muita coisa que digo e com certeza tanta que fica por dizer. A verdade é que quando não há palavras, não deveríamos inventar e pensar que isso é melhor do que um silêncio apaixonado ou que um beijo necessário num momento de amor. Apesar de isto ser verdade, também o é que se não te escrevesse não saberias tão bem a importância que um amo-te pode ter, ou se calhar até saberias. Assim sabe-lo melhor. E não me arrependo de inventar palavras novas para tentar descrever um sentimento inexplicável, nem que passe a minha vida toda assim. Também temos a vida toda, não é assim? Mas não me importo de ir tentando, talvez um dia atinja o que ninguém atingiu antes de mim consiga descrever o indescritível. Posso afirmar com certezas que esta carta, este diário do nosso amor, que é público mas privado por ser só nosso, não passa de mais um beijo e uma carícia no teu (sub)consciente. Acredito que esta fica bem guardada em ti, como as outras, e que nunca vais deixar de saber que este nosso publico-privado diário será a obra prima do nosso amor. Como sempre, hoje posso dizer que te amo. Amanhã será igual.

Teu,
Joaquim Salgueiro"

Vontade.

Tudo muda o mundo
e no entanto não posso deixar de pensar,
tudo é tudo
e que outro poderia mudar
que língua seria esta sem o fumo
das guerras de há anos atrás
palavra viajada
entre terras de ideologias
diferentes e orgias de pensamentos
que pessoas
seriam as pessoas do planeta
se não houvesse o universo,
talvez nem houvessem pessoas
talvez nem houvesse mundo.
e portanto o meu tudo
que muda o mundo
é o raro astro
do outro lado do espaço
que me enfeitiçou com o gosto
das palavras
e acreditou
num miúdo com vontade de mudar
o tudo que gere o mundo.

A vontade não falta a este povo
(faltasse e seríamos outros)
o resto,
enquanto aguarda,
está sendo trabalhado
(trabalho inacabado de centenas de anos)
e , quem sabe um dia,
tudo esteja mudado.
(rezo eu a um Deus que não acredito
que esse dia seja amanhã)

Joaquim Salgueiro

sábado, 11 de julho de 2009

eterna e única teoria

Depende de tudo o que queiramos
depende do azul do céu
dos teu olhos nos meus
e enquanto depender
sou escravo e irei ser
viverei entre paixões e pessoas
e suspirarei de amor
quem sabe não serei o próximo
a ser morto,
(entretanto outro morreu
desta já estou safo)
e penso de novo
subirei a vida de baixo a cima
sem falhas ou detalhes esquecidos
e cada lição aprendida
é página marcada,
nunca demais lida.
Aplico aqui a minha eterna e única teoria,
sou apenas um só ser
e como tal só eu tenho o meu poder
de mudar o mundo
(pelo menos o meu)
e chorar no teu ombro de menina
sou eu que me detenho
e por isso
garanto-te, entrego-me a ti.

Joaquim Salgueiro

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Diário do nosso amor. (3ª folha)

"Meu Amor,

Hoje procurava na minha mente tudo o que ainda não encontrara. Inconclusivo, portanto, senti-me preenchido, fechado e fascinado, mais que tudo apaixonado e, por isso, completo. Deste-me um mundo e o vulgar continuou vulgar, apenas mudou a vida, abriu-me os olhos e a mente. Confesso-me nesta carta não porque seja teu eternamente, ou porque trepe infernos se necessário por ti, mas sim porque já me ouves como se fosses a pessoa mais importante e a que melhor me compreende. Falando verdade... és. E como poderias não ser se o medo de viver acabou e se o pavor de te perder não é claro, se respiro a felicidade e se sorrio só por demais ser amado. Certezas, só umas. Serás sempre a minha estrela no céu. Nem que seja a mais longinqua, desde que a consiga ver, tudo bem. (olha para lá e multiplica a distancia pelo maior número que te possas lembrar. O meu amor será sempre o dobro) Confesso a paixão e dependência que tu és e admito, drogas, só tu, e garanto, é da boa. Procurar o que não encontrei ainda... não vale a pena. Tudo o que houver tu mostrar-me-ás. O mais importante já conheço. O teu amor.

Teu,
Joaquim Salgueiro"

Uma parte do aparte

Passa horas a debater-se
entre a cerveja
o povo de portugal
ou uma garrafa de vinho partida
que estilhaçada
há-de cortar alguma jovem descalça
que foge do namorado em plena rua
gritando mais ao céu
do que às pessoas
"Ajuda!" - essa não vem dos céus, nem das pessoas,
ou são cegas ou são surdas
burras não podem,
o fiasco que vai em casa só
se deve ao necessário gasto
nas "desnecessariadades" da vida,
putas e comida
(por exemplo, se só ficássemos por aqui...)
e enquanto dos céus vem ajuda divina
nós rezamos, pedindo
que chova ouro em vez
daquilo a que chamo tinta
(de água já não tem nada)
e, se não acharem pedir demais,
que mate mais uns quantos,
com novas gripes
ou "tiróidites saltitantes agudas - tipo XPTO",
assim, sempre alguma comida sobrará.

Chega-se ao fim do debate e conclui-se
será nesta escuridão
que se ilumina Portugal?

Joaquim Salgueiro

domingo, 5 de julho de 2009

sentimento que pára no tempo.

Numa casa só
e abandonada pelo tempo
onde o vento não passa
onde o presente não pára,
refugio-me com poemas medíocres,
palavras sem nexo
e inspiração desconexa
sangue estático
e estática na televisão ligada ao fundo.
Nesta casa apenas
me vejo,
onde sozinho me encontro com a dor
e percebo o abandono
que uma palavra não dita deixa,
a falta
a solidão triste duma noite de verão
e as lágrimas que não derramo
no chão,
os cortes que na alma tenho
e o som de sofrimento no coração.
Choro ou não?
Decidirei amanhã.

Joaquim Salgueiro

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Diário do nosso amor. (2ª folha)

"Meu amor,

Entrou em mim agora outra necessidade que não posso apelidar de estranha por ser simplesmente tão constante de te escrever. E não consigo descrever mais o que sinto se já levei à exaustão o meu amor poetizado, mas a força que move montanhas também há-de mover um pequenino como eu. Preciso de te dizer que virão momentos maus. Como não poderiam vir? Se não viessem não tinham valor todos os outros tão extraodinários que temos. Seriam banalizados ao ponto de lhes chamar-mos normais. Não são. Cada pedaço de mim pede para te fazer mais feliz a cada momento, e cada pedaço de mim que consegue sorri. Os outros não morrem, não, pelo contrário, mais se esforçam para atingir uma perfeição inantigível que se torna possível a teu lado. A teu lado o mundo tem asas, e eu fico cá em baixo, bem de longe, olhando pasmo e apaixonado a beleza que ele me revela, beleza essa só descoberta por ti. De facto mudei meu amor... Nunca mais quis estar sozinho no mundo, nunca mais consegui. Tornas-te a minha primeira casa, com quarto especial para nós os dois, onde o meu coração mora e palpita, por ti e em ti. Amo-te hoje.
Amanhã será igual.

Teu,
Joaquim Salgueiro"